Entre o currículo e a clínica
desafios docentes frente às demandas psicoemocionais pós-pandemia
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.19391521Palavras-chave:
Saúde Mental Escolar, Educação Socioemocional, Trabalho Docente, Políticas Educacionais, Ensino FundamentalResumo
Os impactos da pandemia continuam repercutindo no cenário educacional, onde 54% dos brasileiros apontaram a saúde mental como o principal desafio sanitário do período pós-pandemia (Ipsos, 2024). Diante disso, este artigo analisa o discurso docente sobre as alterações psicoemocionais em estudantes da educação básica no processo de retorno à presencialidade. Metodologicamente, trata-se de um estudo de caso, de abordagem qualitativa (Lüdke; André, 2020), recorte analítico de uma investigação de mestrado em duas escolas públicas de Guarabira, Paraíba, Brasil. A coleta de dados envolveu entrevistas com dois docentes do componente de Educação Socioemocional, interpretadas sob a abordagem da hermenêutica filosófica de Gadamer (1999). Os resultados evidenciam que os estudantes manifestam quadros de inibição, ansiedade e déficits cognitivos, demandando um suporte que transcende a formação pedagógica tradicional. Além do impacto nos alunos, observou-se uma sobrecarga emocional docente e a ocorrência de desvios de função do psicólogo escolar, evidenciando lacunas na execução da Lei nº 13.935/2019 e a urgência da recente Lei nº 14.819/2024. Conclui-se que, embora marcos legais ofereçam respaldo jurídico, a atenuação dos impactos no desenvolvimento integral do estudante requer a efetivação de redes multidisciplinares que diminuam a sobrecarga do corpo docente e garantam o acolhimento especializado permanente.
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