Narrativas Decoloniais

Uma Abordagem Teórica sobre Processos Decoloniais nas Comunidades Indígenas Xucuru-Kariri e Karapotó Plak-Ô da Cidade de Penedo/AL

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.18393810

Palavras-chave:

Decolonialidade, Perspectiva indígena, Narrativas, Identidades, Eurocentrismo

Resumo

Este artigo apresenta teorias que destacam características do projeto decolonial em narrativas produzidas por bolsistas do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (IFAL – Campus Penedo). As referidas narrativas dos alunos bolsistas dialogam com os estudos sobre decolonialidade como projeto que teve origem simultânea ao início do sistema-mundo moderno/colonial. (SOUSA SANTOS, 2007). Destacam-se os conhecimentos locais produzidos por populações indígenas (Penedo-AL) que, embora tendo sua história e cultura dilaceradas por um mundo capitalista e eurocêntrico, continuam a resistir a esse processo globalizante e totalitário que intenta apagar as identidades das minorias desprivilegiadas. Essas minorias lutam contra o epistemicídio que é apresentado neste artigo como uma forma de destruir e invalidar os saberes desses povos que sempre tiveram seu conhecimento, cultura e linguagem apagados por um processo globalizante em que o “ter se sobrepõe ao ser”.  Esse epistemicídio foi muito mais vasto que o genocídio sofrido por esses povos porque ocorreu sempre que se pretendeu subalternizar, subordinar, marginalizar, ou ilegalizar práticas e grupos sociais que podiam ameaçar a expansão capitalista durante boa parte do nosso século.

 

Biografia do Autor

Josenildo Farias Neto, Instituto Federal de Alagoas - IFAL

Professor do Instituto Federal de Alagoas, IFAL. Doutorando em Ciências da Educação, Universidad Tecnológica Intercontinental, UTIC. 

Referências

BALLESTRIN, Luciana. América Latina e o giro decolonial. Revista Brasileira de Ciência Política, Brasília, v.1, n. 11, p. 89-117, 2013.

CARNEIRO, Aparecida Sueli. Escritos de uma vida. Belo Horizonte: Letramento, 2018.

CASTRO-GÓMEZ, Santiago. La hybris del punto cero: ciência, raza e ilustración en la Nueva Granada (1750-1816) . Bogotá: Editorial Pontifícia Universidad Javeriana, 2005.

COSTA, Sérgio. As cores de Ercília. Belo Horizonte, Editora da UFMG, 2002.

DUSSEL, Enrique. 1492 el encubrimiento del outro hacia el origen del “mito de la modernidadla modernidad”. Conferencias de Frankfurt, octubre 1992. La Paz: Plural Editores, 1994. (Colección Academia).

DUSSEL, Enrique. Europa, modernidade e eurocentrismo. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005. (Colección Sur-Sur).

ESPINOSA, B. (2015b). Princípios da Filosofia Cartesiana e Pensamentos Metafísicos. Tradução de Homero Santiago e Luís César Guimarães Oliva. Belo Horizonte: Autêntica

GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina. Porto Alegre: L&PM, 2013.

GROSFOGUEL, Rámon, “Colonial Difference, Geopolitics of Knowledge and Global Coloniality in the Modern/Colonial Capitalist World-System.” Review 25.3 (2002): 203- 24.

GROSFOGUEL, Ramón. Para descolonizar os estudos de economia política e os estudos pós-coloniais: transmodernidade, pensamento de fronteira e colonialidade global. In: SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula (org.). Epistemologias do Sul. São Paulo Cortez, 2010.

MIGNOLO, Walter. La idea de América Latina (la derecha, la izquierda y la opción decolonial). Crítica y emancipación, Buenos Aires, 251-276, 2009.

MIGNOLO. W. Desafios decoloniais hoje. Epistemologias do Sul. Foz do Iguaçu/PR, 1(1) 2017. p. 12-32.

MINAYO, Cecília de Souza (org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 28. ed. Petrópolis: Vozes, 2009.

MINAYO, Cecília de Souza (org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 1994.

MIGNOLO, Walter. Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. Tradução de Ângela Lopes Norte. Cadernos de Letras da UFF – Dossiê: Literatura, língua e identidade, Niterói, Rio de Janeiro, v.1, n.34, p. 287-324, 2008b.

NASCIMENTO, Gabriel. Racismo Linguístico: os subterrâneos da linguagem e do racismo. 1 ed. Belo Horizonte: Editora Letramento, 2019b.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidad del poder y clasificación social. In: CASTRO-GÓMEZ, Santiago GÓMEZ, Santiago; GROSFOGUEL Ramón (eds.). El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Iesco-Pensar-Siglo del Hombre Editores, 2007.

QUIJANO, Anibal. Colonialidade do poder e classificação social. In: SANTOS, Boaventura de Souza; MENESES, Maria Paula (org.). Epistemologias do sul. Coimbra: Almeidina, 2009. Cap. 2. p. 73- 118.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia do saber. Novos Estudos, CEBRAP, v.79, p.71 – 94, nov, 2007.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Pela Mão de Alice. São Paulo: Cortez Editora, 1995.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. Novos estudos CEBRAP, n. 79, p. 71-94, 2007.

SANTOS, Boaventura de Sousa. A Gramática do Tempo: para uma nova cultura política. São Paulo: Cortez. Editora, 2006.

SANTOS, Boaventura de Sousa. “Para além do Pensamento Abissal: Das linhas globais a uma ecologia de saberes”, Revista Crítica de Ciências Sociais, 78, 3-46, 2007.

SANTOS, Boaventura de Sousa. “A filosofia à venda, a douta ignorância e a aposta de Pascal”,Revista Crítica de Ciências Sociais, 80, 11-43, 2008.

Downloads

Publicado

2026-01-27

Como Citar

Neto, J. F. (2026). Narrativas Decoloniais: Uma Abordagem Teórica sobre Processos Decoloniais nas Comunidades Indígenas Xucuru-Kariri e Karapotó Plak-Ô da Cidade de Penedo/AL. Rebena - Revista Brasileira De Ensino E Aprendizagem, 14, 330–342. https://doi.org/10.5281/zenodo.18393810