Contribuições da neurociência para a compreensão da dependência de telas recreativas
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.21792671Palavras-chave:
Neurociência, Dependência de telas, ComportamentosResumo
Este estudo aborda, à luz da neurociência, a crescente problemática da dependência de telas recreativas e seus impactos no funcionamento cognitivo e comportamental. O objetivo consistiu em identificar e analisar produções científicas sobre o tema na base de dados Redalyc, utilizando descritores combinados pelo operador booleano AND: Neurociência, Telas, Dependência de Telas, Tecnologias Digitais e Educação. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, configurada como revisão narrativa, com aplicação de critérios de inclusão e exclusão, priorizando estudos alinhados à categoria “Neurociência e Dependência de Telas”. Foram selecionados cinco artigos para análise teórica e crítica, sendo quatro publicados no Brasil e um no Uruguai. Os resultados indicam que o uso excessivo de ferramentas digitais com fins recreativos está associado a alterações em sistemas neurais relacionados à atenção, memória, ansiedade e circuitos de recompensa, além de repercussões comportamentais relevantes. Constatou-se também a presença de lacunas na literatura, especialmente no que se refere à influência de fatores socioeconômicos no acesso às tecnologias e no letramento digital. Conclui-se que a compreensão dessas relações demanda abordagens mais amplas, que considerem dimensões econômicas, culturais e comportamentais, a fim de promover reflexões críticas e subsidiar novos paradigmas de uso das tecnologias digitais.
Downloads
Referências
AMARAL, Jonathan Henriques do. Quão “digitais” são os “nativos digitais”? Limites do entusiasmo excessivo com a tecnologia na educação. Educação em Revista, Belo Horizonte, v. 38, e39582, 2022. Disponível em: periodicos.ufmg.br Acesso em: 23 abril 2026. DOI: https://doi.org/10.1590/0102-469839582
AZEVEDO, Jefferson Cabral; SOUZA, Carlos Henrique Medeiros de; NASCIMENTO, Giovane do. Ciberdependência: o papel das emoções na dependência de tecnologias digitais. Texto Livre: Linguagem e Tecnologia, [S.L.], v. 7, n. 2, p. 148-161, 17 out. 2014. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.17851/1983-3652.7.2.148-161
BAUMAN, Zygmunt. Sobre Educação e Juventude. Tradução: Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.
BASTOS, Marco Toledo. Resenha de The Shallows: What the Internet Is Doing to Our Brains, de Nicholas Carr. Matrizes, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 261-266, jul./dez. 2011. Disponível em: Revista Matrizes. Universidade de São Paulo - USP. Acesso em: 23 abril 2026.
CONSENZA, Ramon M. Neurociência e Mindfulness: meditação, equilíbrio emocional e redução do estresse. Porto Alegre: Artmed, 2021.
COSENZA, Ramon M., GUERRA, Leonor B. Neurociência e educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011.
CRARY, Jonathan. Terra arrasada: além da era digital, rumo a um mundo pós-capitalista. São Paulo: Ubu Editora, 2023.
DEHAENE, Stanislas. É assim que aprendemos: porque o cérebro funciona melhor do que qualquer máquina (ainda...). São Paulo: Contexto, 2022.
DEMURGET, Michel. Faça-os ler: para não criar cretinos digitais. São Paulo, SP: Vestígio editora, 2024.
DESMURGET, Michel. A fábrica de cretinos digitais: Os perigos das telas para nossas crianças. Tradução: Mauro Pinheiro. 1ª ed. 2ª reimp. São Paulo: Vestígio, 2022.
FAVA, Rui. IA generativa na aprendizagem: a quinta revolução cognitiva e seu impacto na educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 2025.
FIALHO, Joaquim et al. Scroll. Logo existo! Comportamentos aditivos no uso dos ecrãs. Lisboa: Lusíada Editora, 2023.
FISHER, Max. A máquina do caos: como as redes sociais reprogramaram nossa mente e nosso mundo. São Paulo: Todavia, 2023.
FONSÊCA, Patrícia Nunes da; COUTO, Ricardo Neves; MELO, Carolina Cândido do Vale; MACHADO, Mayara de Oliveira Silva; SOUZA FILHO, José Farias de. Escala de uso problemático de internet en estudiantes universitarios: evidencias de validez y fiabilidad. Ciencias Psicológicas, [S.L.], p. 223-230, 23 out. 2018. Universidad Catolica de Uruguay. http://dx.doi.org/10.22235/cp.v12i2.1686 .Acesso em: 23 de abril 2026.
HAIDT, Jonathan. A Geração Ansiosa: Como a infância hiperconectada está causando uma epidemia de transtornos mentais. Tradução: Lígia Azevedo. 1ªed. São Paulo: Companhia das Letras, 2024.
HAN, Byung-Chul. Não-coisas: reviravoltas do mundo da vida. Petrópolis, RJ: Vozes, 2022.
KALLY, Kevin. Para onde nos leva a tecnologia. Porto Alegre: Bookman, 2021.
KANDEL, Eric R. Mentes diferentes: o que cérebros incomuns revelam sobre nós. Tradução Paulo Laino Cândido. 1. ed. – Barueri -SP: Manole, 2020.
KILBEY, Elizabeth. Como criar filhos na era digital. Tradução: Guilherme Miranda. 1ª ed. São Paulo: Fontanar, 2018.
LIPOVETSKY, Gilles. A sociedade da sedução: democracia e narcisismo na hipermodernidade liberal. Tradução: Idalina Lopes. 1. ed. – Barueri -SP: Manole, 2020.
PASSARELLI, Brasilina; JUNQUEIRA, Antonio Helio; ANGELUCI, Alan César Belo. Digital natives in Brazil and their behavior in front of the screens. Matrizes. [S.L.], v. 8, n. 1, p. 159, 24 jun. 2014. Universidade de Sao Paulo, Agencia USP de Gestao da Informacao Academica (AGUIA). http://dx.doi.org/10.11606/issn.1982-8160.v8i1p159-178 Acesso em 23 de abril 2026.
ROSA, Hartmut. Aceleração: a transformação das estruturas temporais na modernidade. São Paulo: Editora Unesp, 2019.
ZUBOFF, Shoshona. A era do capitalismo de vigilância: a luta por um capitalismo humano na nova fronteira do poder. Nova York: Copyright, 2019.
WOLF, Maryanne. O cérebro no mundo digital: os desafios da leitura
na nossa era. Tradução: Rodolfo Ilari, Mayumi Ilari. – São Paulo: Contexto, 2019.
