Narrativas de mulheres negras na escola
Conceição Evaristo e o ensino de literatura
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.18482686Palavras-chave:
Mulheres negras, Conceição Evaristo, Escrevivência, Educação antirracista, Ensino de LiteraturaResumo
Este artigo discute a importância da inserção de narrativas de mulheres negras no ensino de literatura, tomando a obra de Conceição Evaristo como eixo central de análise. Parte-se da compreensão da escola como espaço de formação humana e de disputa simbólica, no qual o currículo historicamente privilegiou vozes eurocêntricas, silenciando experiências de grupos marginalizados. O objetivo do estudo é refletir sobre como as produções de Conceição Evaristo, especialmente a partir do conceito de escrevivência, podem contribuir para práticas pedagógicas mais inclusivas, críticas e humanizadoras no ensino de literatura. A metodologia adotada é de natureza qualitativa, com base em pesquisa bibliográfica e análise teórico-crítica de autores que discutem literatura, educação, identidade, memória e relações étnico-raciais. A fundamentação teórica apoia-se em contribuições de Antonio Candido, Paulo Freire, Stuart Hall, Nilma Lino Gomes, bell hooks, entre outros. Os resultados indicam que a presença dessas narrativas no currículo escolar favorece a formação do leitor literário, fortalece a identidade e o pertencimento de estudantes negros, amplia a empatia e contribui para uma educação comprometida com a diversidade, a justiça social e a humanização dos sujeitos.
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