O corpo como espelho social
simbolismo e controle na obra de Mary Douglas
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.22906458Palavras-chave:
Corpo, Cultura, Controle, Símbolo, Mary DouglasResumo
Este artigo analisa o corpo humano sob a perspectiva da antropologia simbólica de Mary Douglas, compreendendo-o como um microcosmo que espelha as estruturas, hierarquias e tensões do corpo social. Através da articulação entre o corpo microssocial (indivíduo) e o macrossocial (sociedade), os autores exploram como normas de pureza e perigo são inscritas na carne, transformando práticas cotidianas de higiene, alimentação e saúde em mecanismos de controle e manutenção de fronteiras de classe. A discussão integra as teorias de Bourdieu sobre o habitus e o capital corporal, além de problematizar o transe e a possessão como formas de resistência aos dispositivos disciplinares de Foucault. Por fim, a obra evidencia a atualidade de Douglas ao decodificar o corpo contemporâneo, onde os imperativos do mercado de bem-estar e as pressões estéticas neoliberais operam como novas e sutis cosmologias de vigilância, nas quais o indivíduo submete sua autonomia às severas exigências de produtividade e adequação física impostas pelo sistema social.
Downloads
Referências
BOURDIEU, Pierre. A distinção: crítica social do julgamento. São Paulo: Edusp, 2007.
BOURGUIGNON, Erika. Religion, altered states of consciousness, and social change. Columbus: Ohio State University Press, 1973.
DIAS, Angelo. Mercado do bem-estar: acolher, orientar e acompanhar. Rio de Janeiro: L.A. Editora e Publicações, 2025.
DOUGLAS, Mary. Pureza e perigo: ensaio sobre as noções de poluição e tabu. Tradução: Sônia Pereira da Silva. São Paulo: Perspectiva, 1976.
DOUGLAS, Mary. Símbolos naturais: explorações em cosmologia. Tradução: Francisco Settineri. São Paulo: Renascer, 2010.
DOUGLAS, Mary. Símbolos naturais: explorações em cosmologia. Lisboa: Edições 70, 1988.
DOURADO, Cláudia de Souza et al. Body, culture and meaning. Journal of Human Growth and Development, [S. l.], v. 28, n. 2, p. 206-212, 2018. DOI: 10.7322/jhgd.147240. Disponível em: https://doi.org/10.7322/jhgd.147240. Acesso em: 6 jul. 2026.
ELIAS, Norbert. O processo civilizador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994.
FERNANDES, Luis; BARBOSA, Raquel. A construção social dos corpos periféricos. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 25, n. 1, p. 70-82, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sausoc/i/2016.v25n1/. Acesso em: 6 jul. 2026.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1987.
GOFFMAN, Erving. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. Rio de Janeiro: LTC, 1963.
KALACHE, Alexandre. A revolução da longevidade. São Paulo: Vestígio, 2025.
LE BRETON, David. A sociologia do corpo. Tradução: Sonia M. S. Fuhrmann. Petrópolis: Vozes, 2012.
MAUSS, Marcel. Sociologia e antropologia. São Paulo: Cosac Naify, 2003.
MEDEIROS, Cristina Carta Cardoso de. Habitus e corpo social: reflexões sobre o corpo na teoria sociológica de Pierre Bourdieu. Movimento, Porto Alegre, v. 17, n. 1, p. 281-300, jan./mar. 2011. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/Movimento/article/view/17498. Acesso em: 6 jul. 2026.
MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da percepção. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
SANT'ANNA, Denise Bernuzzi de. Corpos de passagem: ensaios sobre a subjetividade contemporânea. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2014.
TURNER, Victor. The ritual process: structure and anti-structure. Chicago: Aldine, 1969.
